Brasileira abre multimarca de moda inclusiva em Londres

August 26, 2019

 

 

Samanta Bullock é uma dessas pessoas de sorriso fácil, bastam alguns minutos de conversa, para que você ja se encante por essa ex-atleta gaúcha que vem ganhando o mundo para defender uma moda que abrigue corpos com deficiência.

 

Radicada em Londres há 12 anos, a hoje então modelo e idealizadora do SB Shop conectou-se com a moda através do esporte. Após 7 anos jogando profissionalmente, onde competiu em 3 mundiais com direito a uma medalha de prata no ParaPan, a ex-tenista se encantou pela moda quase que sem querer. Foi fazendo propaganda para seus patrocinadores, que ela despertou para um sonho antigo, o de ser modelo.

 

Após um disparo acidental feito por arma de fogo, Samanta perdeu os movimentos da cintura para baixo, o que reduziu de forma brusca suas possibilidades de seguir na carreira, afinal falamos de um indústria que ainda hoje é avessa a qualquer corpo fora do padrão. “Não pensava que usando uma cadeira de rodas eu poderia vir a desfilar, foi uma coisa gradativa já que o conceito todo estava nascendo naquele momento, não só para mim, mas para o mundo.” 

 

Após seu primeiro desfile em 2006 para uma marca Goiana, a ex-tenista avançou para o mundo das roupas e das passarelas e hoje, além de fundar um e-commerce com roupas adaptadas para pessoas com deficiência, ela corre o mundo promovendo informação e representatividade.

 

 

 

Como se deu sua mudança para Londres?

 

Eu vim morar em Londres em 2007 por causa do Mark. Começamos a namorar e a distancia e não estava funcionando, então decidimos que seria melhor para nós vivermos aqui já que eu poderia ser alocada em qualquer lugar ou função do tênis.

 

Como surgiu a ideia de montar um site com marcas inclusivas?

 

Foi uma coisa orgânica, eu já estava trabalhando com estas marcas há mais de ano e ao invés de ter a minha própria produção,  pensei em criar uma loja de departamento onde pudéssemos ter mais variedade. Assim ao invés de ser uma pessoa fazendo 100% de alguma coisa, seríamos milhares fazendo de 2 a 5%. Plantar a ideia de inclusão no coração de cada designer no mundo se tornou uma missão.

 

Que tipo de produto você considera inclusivo? Poderia nos dar alguns exemplos?

 

Uma calça por exemplo que sirva para um corpo sentado ou em pé. A questão de

ser inclusiva não deve ser pensada apenas para uma pessoa com deficiência. Devemos  partir de uma ideia  de um produto que que seja para todos, com opções de escolha e variedade. Se você  não encontrar algo para você em uma marca, poderá amar algo em uma outra, mas não sairá com as mãos abanando. Estamos desenvolvendo a coleção

masculina que será lançada em fevereiro do ano que vem. Ainda temos um caminho enorme a trilhar.


Quais são os critérios usados para selecionar as peças da SB? 

 

A sustentabilidade, o conforto e a beleza. Queremos algo funcional, mas que tenha uma pegada fashion.

 

Você ja passou ou conhece alguma pessoa com deficiência que tenha passado por uma situação constrangedora em relação a moda? 

 

Claro que sim, isso é uma coisa muito comum! Vá ao cinema, vá a um

restaurante e veja em torno de você, muitas pessoas sentadas mostrando o “ cofrinho”. Isso é constrangedor, queremos sentar com modéstia, não?! Amigos que estão em cadeira de rodas e não conseguem experimentar uma roupa na loja, pois os provadores não são acessíveis, inclusive isso também acontece comigo. Isso sem falar de algumas lojas em que você nem consegue entrar,  pois  não existem rampas.

Roupas que machucam ou apertam demais, quem nunca? Inclusive estamos colocando

uma área em nosso website, onde queremos escutar todos os problemas e sugestões, do consumidor, assim poderemos melhorar e sanar o problema, pois se ele existe provavelmente não é somente seu.

 

Quais os principais desafios para o mercado conseguir implementar mudanças que tornem a moda efetivamente inclusiva? 

 

O estoque. Geralmente as marcas projetam tamanhos mais generalizados e no caso de peças  com um design adaptado isso pode se tonar um desafio, uma vez que a quantidade de peças com esse design mais exclusivo são fabricadas em menor volume, o que impacta diretamente no preço, ou seja quanto menor o volume, maior o preço. 

O ponto a se considerar é que temos que mudar a cultura de compra pelo preço, temos que comprar pela qualidade e pelo valor que a marca agrega. É difícil, mas no final sai mais barato, pois isso é uma compra inteligente. Ao invés de comprar 3 peças que vão durar um ano, compre uma que dure dez.  Compre com o coração, ame o que você possui e use varias vezes.

 

Quais marcas hoje já estão num estágio mais avançado de inclusão de pessoas com deficiência no seu ponto de vista? 

 

 

Poderia citar alguns cases como o da Tommy Hilfiger, uma marca que já possui visibilidade na moda como fast e high end. Eles estão fazendo roupas lindas e funcionais. A Palta de Israel também é uma boa referência, assim como Kintsugi.

 

 

 

Você também se preocupa com a questão da sustentabilidade em seu trabalho. Qual a conexão entre esse tema e a moda inclusiva? 

 

Acredito que entre tantas coisas que podemos fazer pelo o mundo, tentar ser mais sustentável é o mínimo. Cada designer tem o seu ponto de vista em relação a este tema, não tem certo ou errado, cada um tem a sua maneira de fazer a coisa certa. 

Hoje somos 7 bilhões, em alguns anos seremos 10 bilhões, ou seja, nós precisamos repensar essas dinâmicas com urgência, independente de ter ou não uma deficiência.

 

Quais conselhos você daria para quem deseja empreender nesse segmento? 

 

Acredito que o slow fashion tende a  crescer, portanto se vc quer empreender simplesmente comece. Somos 20% da população e isso significa que existe mercado para muita gente. A moda é para todos!

 

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